As equipes dos Centros de Inteligência Territorial (IT) e de Tecnologias Aplicadas (TA) do Parque Tecnológico Itaipu (PTI-BR), em uma das entregas de um convênio de monitoramento de riscos ambientais em bacias hidrográficas, firmado entre o Parque, a companhia de saneamento do Paraná, Sanepar, e a Itaipu Binacional, desenvolveram uma metodologia de trabalho focada em processos erosivos extremos, como as chamadas voçorocas, avaliando índices espaciais e equações de perda de solo. Além disso, desenvolveram, também, uma plataforma para centralizar todos os dados e informações, assim contribuindo para com análises técnicas e tomadas de decisões.
A metodologia fez parte da chamada “meta 2” do convênio tripartite e foi o resultado de atividades realizadas pelas equipes para produção de informações e índices de conservação e riscos, importantes à gestão ambiental das bacias dos rios Ivaí e Piquiri, além da Bacia do Paraná 3 (BP3).
Segundo o corpo técnico, a metodologia para o mapeamento do Déficit Florestal foi elaborada utilizando geotecnologias, especialmente a plataforma Google Earth Engine, com suas interfaces em programas como Javascript, Python e QGIS, em um processo que envolveu o levantamento de áreas florestais utilizando bases de dados públicas, o mapeamento da hidrografia para delimitar as Áreas de Preservação Permanente (APPs) e o uso do sensoriamento remoto para identificar as áreas florestais existentes, permitindo calcular o déficit florestal nos entornos dos corpos hídricos.
O grupo que trabalhou no projeto teve caráter multidisciplinar, composto por profissionais de Geoprocessamento e bolsistas da área ambiental, além de profissionais de automação e processamento de dados, responsáveis em gerar as informações necessárias aos dashboards. Esse conjunto de informações acerca da perda de solo, risco de erosão e sua projeção, bem como a situação das APPs, foram integrados em um sistema centralizador de informação.
Esse sistema é o resultado das ações da meta 1 e servirá não apenas para centralizar as informações e dados, mas como instrumento de impacto para tomadas de decisão, gerenciamento de informações, constituindo uma referência para planos de monitoramento e controle de dados ambientais, com potencial de também sensibilizar e mobilizar a sociedade sobre as temáticas ambientais envolvendo uso do solo, manejo de florestas e qualidade da água.
Mais resultados e trabalho integrado
Como o convênio exigiu a união do conhecimento sobre território e o desenvolvimento de programas de inserção e gestão de dados, o trabalho foi feito de forma matricial entre os centros que atuaram no convênio, envolvendo as equipes e proporcionando resultados para todo o Parque.
Isso permitiu que a metodologia desenvolvida pelas equipes dos Centros faça parte de um resultado ainda maior obtido pelo convênio que, primeiramente, exigiu o mapeamento das áreas alvo, assim identificando como o solo dos mananciais estava sendo utilizado, bem como qual a metragem da área florestal e seu déficit, bem como perda de solo e risco de erosão e sua possível projeção futura. Esse conjunto de informação acerca do solo somada aos dados e informações acerca da qualidade da água nos mananciais, avaliação dos sistemas de tratamento de água e sua distribuição contribuem com a criação de protocolos e documentos para diagnósticos, mapeamento e gestão de riscos, visando subsidiar o Plano de Segurança de Água.
O técnico do TA, Willian Bogler, explicou que sua equipe desenvolveu o sistema com bases nas melhores práticas de mercado, visando um sistema seguro e eficiente, o qual, por meio da sua interface, apresente os resultados do obtidos pelo IT, tais como os mapas gerados pelos métodos de perda de solo, potencial de erosão e projeção, déficit florestal e usos do solo. Além disso, o sistema apresenta dados de qualidade da água para parâmetro químicos específicos, bem como qualidade da água de um manancial em relação ao conjunto de informações de seu território, bem como um ranqueamento dos mananciais, estações de tratamento de água e sistemas de distribuição de água assim contribuindo para com diversas ações, gerenciamentos e planos, dentre eles destaca-se o plano de segurança da água.
Para o técnico do I.T, Newmar Wegner, o grande desafio foi, para além do técnico, aprimorar o relacionamento do PTI com instituições relevantes para o desenvolvimento social e econômico do Paraná e o país, como a Sanepar e Itaipu, parceira e mantenedora do Parque. Ele também pontuou um saldo positivo no quesito desenvolvimento profissional e humano para o PTI. “O melhor resultado foi a integração entre as equipes”, disse.
Nota: os trabalhos resultaram também em produtos acadêmicos, como o artigo disponível em: https://www.even3.com.br/anais/encob2022/509367-sistema-de-monitoramento-da-agua–plataforma-de-integracao-de-dados-e-gestao-de-recursos-hidricos/